Não podemos acreditar que exista algo, não físico, na dor/prazer.
António Damásio
Para Damásio, a consciência não resulta, apenas, do funcionamento do cérebro,
mas sim do corpo como um todo.
A dor, o prazer, as emoções, os sentimentos, são os qualia que fazem funcionar a
mente, mas embora sejam ativadas pelo corpo, é no cérebro que acontecem, mas
apesar de acontecerem no cérebro, na nossa experiência subjetiva, sentimos no
corpo.
A teoria de Damásio aproxima-se da minha por dar importância aos qualia.
Os qualia
O homem, e os outros animais, funcionam pelo princípio do prazer. É a busca do
prazer e fuga ao desprazer, que move os homens e os animais em geral. Nada mais
existe para além do Princípio do Prazer.
Tudo o que fazemos é sempre na busca do prazer e fuga ao desprazer, mesmo
quando parece o contrário.
Os pássaros, e outros animais, constroem ninhos, e buscam comida para os filhos,
num esforço aparente de desprazer, mas não é bem assim. Se não cumprirem os
instintos básicos naturais, entram em depressão e têm um desprazer maior.
Os masoquistas buscam o prazer que encontram na dor. Calculam ser esse prazer
maior que a dor, e alguns doentes psicológicos encontram em rituais de sofrimento,
alívio de dores psicológicas maiores, como no caso dos neuróticos. Por exemplo,
uma pessoa com fortes sentimentos de culpa, pode encontrar na dor um castigo que
lhe permite redimir a culpa, e assim alivio da dor maior da culpa.
A “pulsão de morte” de Freud, mais não é que uma vontade de suicídio, porque
geralmente temos mais desprazeres que prazeres nesta vida, e há uma vontade,
muitas vezes inconsciente, de desaparecermos. Uma vontade de nos tornarmos pó.
Freud disse que certos sintomas não visam o prazer, mas repetem experiências
traumáticas. Isso, mais não è que a mente a analisar os traumas, a fim de encontrar
uma solução, e evitar que se repitam no futuro, com o objetivo de reduzir futuros
desprazeres. Esta compulsão à repetição do trauma, pode também ser fonte de
prazer masoquista, e/ou tentar reviver situações antigas, normalmente familiar, onde
apesar da violência de que se era vítima havia uma sensação de segurança e
ambiente familiar, o que a tornava preferível. Os traumas têm fortes qualia negativo,
o que atrai o pensamento de forma recorrente.
Pessoas com certos problemas psicológicos, podem sentir medo de ter sucesso, e
não quererem sair da situação de conforto em que se encontram por já estarem
habituadas, e devido a, um complexo de inferioridade, terem medo do
desconhecido. Optam por viver em terreno conhecido e seguro. Na origem pode
estar traumas de infância, em que eram fortemente reprimidas por tudo o que
faziam, e agora temem fazer qualquer coisa.